Entrevista


Alfresco: ECM à toda prova

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Publicado em 06/11/2013 às 12:43

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Por Rafael Peregrino e Miguel Koren O’Brien de Lacy


Linux Magazine » Pode nos dar um resumo dos primeiros dias do Alfresco [1]? Quais foram as motivações originais que o levaram a deixar o Business Objects (do qual você também foi criador, e que agora se chama SAP Business Objects) e iniciar uma nova empresa? Como conheceu John Newton (co-fundador da Documentum, agora uma empresa da EMC)?


John Powell » Os primeiros dias do Alfresco foram divertidos – 10 pessoas em uma sala dividindo a paixão pela solução de problemas de legado ECM (Enterprise Content Management) em pleno século XXI. Concluímos nossa meta para o primeiro ano logo na primeira semana, e a resposta da comunidade foi incrível. A comunidade se engajou no projeto ajudando com contribuições, integrações e correção de bugs. Nosso primeiro cliente pagante surgiu em 6 meses e vinha da Nova Zelândia; portanto, desde o princípio somos uma organização global.


Conheci John Newton logo após a saída dele da Documentum. Ele era então, um dos engenheiros mais talentosos e continua sendo um dos mais visionários. Compartilhávamos o desejo pelo futuro do mercado de ECM e sabíamos que se pudéssemos trabalhar juntamente com os desenvolvedores teríamos um modelo de negócio inovador.


Também passamos um bom tempo no início do projeto Alfresco analisando sistemas como MySQL e JBoss antes de decidir que um modelo em código aberto poderia fornecer a vantagem competitiva que precisaríamos a ponto de substituir os originais e entregar um gerenciador de conteúdo fácil de utilizar a ponto de se tornar real como negócio.


LM » Quando fundou a Alfresco, qual era sua visão para o mercado de ECM?


JP » As empresas precisam do ECM, mas o sistema precisa ser acessível, fácil de implementar e simples de usar. Os sistemas existentes eram caros, difíceis de configurar e não amigáveis aos usuários. Naquela época, o lugar mais seguro para armazenar conteúdo era uma unidade de disco compartilhado; portanto, queríamos manter o Alfresco simples de usar no frontend, ao mesmo tempo que dispusesse de poderosas capacidades empresariais no backend. Apostamos que o código aberto seria uma forma possível de construir novas relações positivas entre as empresas que foram exploradas durante anos pelos sistemas fechados de seus fornecedores.


LM » Qual era sua experiência até então com tecnologias de código aberto?


JP » Já havíamos trabalhado em muitos projetos de código aberto anteriormente, e sabíamos do poder e da qualidade que eles proporcionavam a seus usuários. A partir disso, foi um salto cultural abrir o código de nossas invenções, o que provou ser a melhor decisão que tomamos.


LM » A Alfresco ainda é uma empresa britânica? Ou é uma empresa britânica que tornou-se americana? Qual trabalho diário tem sido desenvolvido atualmente nos escritórios desses dois países?


JP » Desde o princípio desejávamos nos tornar uma força global, razão pela qual desde o começo também tínhamos investidores tanto europeus como americanos. Com clientes em mais de 180 países, temos engenheiros espalhados pela Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Bélgica, Holanda, Suécia, Alemanha, Romênia e Austrália, com contribuições da comunidade chegando de todas as partes do globo.


LM » Há planos de abrir um escritório da Alfresco no Brasil ou América Latina? Você acredita que o Brasil possa gerenciar outros mercados da América Latina?


JP » Estamos muito ansiosos pela oportunidade de fazer crescer o nosso negócio no Brasil, com a expansão de mercado na América Latina, e continuaremos a manter o foco no crescimento da nossa força de vendas local. Enquanto não temos planos específicos para um escritório dedicado, a Alfresco trabalha com colaboradores remotos e estamos comprometidos em continuar o apoio às nossas bases regionais.


LM » A Alfresco oferece ao público geral 10GB de espaço em suas ofertas de compartilhamento de arquivos online/nuvem. A Alfresco planeja competir com soluções como Dropbox ou Google Drive?


JP » O conteúdo escalonável referente ao negócio entregue pelo Alfresco precisa de fluxo de trabalho, metadados, regras e governança através da nuvem e ambientes híbridos on-premise. Enquanto muitos consumidores de serviços são muitas vezes pontos de entrada para o teste de recursos principais para soluções ECM, o compartilhamento de arquivos simplesmente não é suficiente para empoderar o ciclo de vida completo dos dados que a empresa necessita. Para tornar a virada no ECM mais fácil, temos integrações com algumas diferentes soluções, incluindo o Google Drive.


LM » Atualmente há uma forte tendência no mercado de TI para o uso de dispositivos móveis no acesso à Internet, e muita discussão sobre a nuvem como plataforma de TI definitiva. Qual a percepção da Alfresco (ou visão) para este mercado? Vocês planejam criar um appliance Xen ou VMware das suas soluções disponíveis para download? Quais são os planos da Alfresco para o mercado mobile e de nuvem?


JP » Hoje em dia os dispositivos móveis superam os desktops e quanto mais tempo gastamos nesses dispositivos significa que eles estão rapidamente mudando de um contexto de consumo de conteúdo para uma ferramenta de criação de conteúdo. Dessa forma, desempenham um papel crítico nos processos de negócios. O mercado continuará a se tornar mais complexo na medida em que ambientes mistos se desenvolvem em um padrão corporativo. Embora os CIOs estejam ansiosos para se libertar dos datacenters, eles ainda possuem uma responsabilidade no que se refere ao controle e segurança desses ambientes. Uma abordagem de nuvem híbrida será a melhor rota para o provisionamento de dados empresariais.


Como parte do controle de privacidade, mas saindo dos datacenters, os CIOs têm optado por estratégias de virtualização e provisionamento de nuvens privadas para seus aplicativos. Conteúdo, particularmente informações controladas como contratos, assuntos de ordem financeira e dados de usuários, precisam ser assegurados tanto por soluções on-premise, como de virtualização e nuvem privada, onde apenas a organização possua tais acessos. Isso não pode ser garantido por qualquer serviço de transferência pública de arquivos. Por isso, nós já possuímos vários consumidores executando tanto em máquinas virtuais VMware como em como em VPCs da Amazon. Também possuímos soluções Amazon empacotadas para instâncias de nuvem privada e continuaremos a fornecer mais opções de implementação nessa área. Além disso, planejamos a entrega de instâncias VMware pré-configuradas em um futuro breve.


LM » Empresas no Brasil, especialmente as do setor governamental, geralmente precisam dispor seus produtos no idioma local. Existem traduções da comunidade para suas soluções, mas vocês também pretendem oferecer suporte em português brasileiro?


JP » Uma das vantagens de ser um projeto em código aberto é que a comunidade ajuda a localizar o Alfresco. Nossas soluções foram traduzidas para 40 idiomas diferentes, incluindo o português brasileiro, e anunciaremos suporte adicional ao português brasileiro em nosso próximo lançamento.


LM » A habilidade de processar um conjunto de formulários e arquivos relacionados é necessária para as organizações, e é geralmente conhecida como “efile” ou “case management”. Este é um mercado bastante promissor atualmente. Como a Alfresco suportaria tal solução?


JP » O Alfresco sempre foi utilizado para estes fins, mas o que temos visto atualmente é uma enorme necessidade por soluções “fora da caixa”, como gerenciamento de contratos, administração de novas contratações, gerenciamento de faturas e reivindicações de cobrança. Através de uma aquisição no início deste ano, criamos o Alfresco Workdesk, que utiliza configuração simples para habilitar soluções implementadas atualmente por organizações bancárias, governamentais e de Internet no mundo todo.


LM » Qual a função do Activiti BPM no Alfresco e qual será sua evolução? Vocês planejam competir com outros players de BPMs em código aberto como Bonita ou Intalio?


JP » O Activiti é uma nova geração de BPM que sucede o JBPM e implementa capacidades BPMN 2.0. Embora possa ser utilizado de forma independente do Alfresco, planejamos oferecê-lo de forma combinada e não temos planos de competir de forma independente no mercado de BPM. Temos unido consumidores do Bonita e Intalio, e por esse motivo submetemos o Activiti a uma licença Apache para que possa ser adotado globalmente.


LM » Há muita discussão no mercado sobre empresas que oferecem produtos em código aberto.  Você acha que é possível fazer dinheiro com soluções em código aberto? Qual seria o foco de uma organização que vive às custas do software de código aberto? Serviços e/ou consultoria? Haveria outras possibilidades a serem exploradas nesse sentido?


JP » A Alfresco gera receita com as assinaturas do Alfresco para empresas (código fonte sem licença GPL). Oferecemos treinamentos, serviços e consultorias juntamente com nossos parceiros, por isso o custo das assinaturas variam de acordo com o nível de escalonamento e solução exigida.


LM » O Alfresco One foi lançado sem licença GPL. Seria uma tendência que a Alfresco vê no mercado? Qual o futuro que a Alfresco vislumbra para as soluções de código aberto? O que mudou no posicionamento da Alfresco sobre esse mercado desde que foi fundada?


JP » A Alfresco sempre usou um modelo duplo de licença (como fez a Red Hat, SugarCRM e MySQL) com a Alfresco Community licenciada sob a LGPL. Com o advento do serviço de nuvem da Alfresco temos visto desenvolvedores construindo software na nuvem, além da comunidade on-premise e empresarial.


LM » Qual a relação entre as versões Community e Enterprise do Alfresco?


JP » Ambas compartilham a mesma base de código e recursos de usuário com a exceção das capacidades empresariais adicionais para gerenciamento em larga escala (indexação, clusterização e gestão de serviços). Enquanto a versão Community é ideal para prova de conceito enquanto se obtém aprovações financeiras ou verbas, qualquer grande organização irá economizar tempo e dinheiro utilizando nossa assinatura de serviço versão Enterprise.


LM » Qual o principal desafio para uma empresa como a Alfresco no mercado internacional atualmente?


JP » Incerteza do crescimento econômico, o que leva a uma diminuição no ritmo decisório das empresas.


LM » Quais dificuldades a Alfresco vem enfrentando fora do mercado norte-americano? Em quais países tem encontrado maior aceitação?


JP » Desafios recentes na Europa dada a atual crise econômica levaram a um forte crescimento na América Latina, Ásia, norte da Europa e África.


LM » Qual a visão da Alfresco para o futuro do ECM?


JP » Segurança da informação onde e quando precisar. A visão da Alfresco é simplificar o ECM de forma que qualquer pessoa possa usá-lo e implementá-lo. Queremos tornar o ECM tão fácil a ponto de uma criança poder utilizá-lo. A começar pelo código aberto, fomos capazes de tornar o ECM disponível em regiões que nunca o utilizaram antes. Com as novas tecnologias de nuvem disponíveis, acreditamos que é possível expandi-lo e torná-lo ainda mais fácil de usar.


A atual realidade empresarial é que gerenciar a verdade é mais complicado do que compartilhá-la. Ser capaz de encontrar informação, tendo a certeza de que é correta, e que informações sensíveis sejam aproveitadas ou destruídas, é um negócio muito complexo. O que torna o Alfresco único é que essa complexidade não chega até o usuário final. Um software ECM precisa ser inteligente e fácil de usar. Capturar o contexto é algo que precisa ser automático para evitar a confusão, enquanto processos de negócio precisam estar ocultos em segundo plano e ainda garantir a entrega das informações corretas. Todo o contexto e relacionamentos exigidos para tornar a busca mais simples e entregar informação proativamente, deve entrar em pastas e tags, porém se mantém tão simples quanto o uso de metáforas familiares. Nosso investimento no futuro será em tecnologias híbridas que se valem do uso do que houver de mais moderno para interface de usuário, a fim de flexibilizar a entrega da informação tanto na nuvem como on-premise, ou ainda em nuvens privadas.




Mais informações


[1] Alfresco: http://www.alfresco.com/


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