Entrevista


Foco em segurança

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Publicado em 17/02/2011 às 10:35

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Você ainda acredita que está imune aos vírus somente por usar Linux? Essa vantagem dos usuários de sistemas de código aberto já não é mais tão real assim. Pelo menos é o que dizem especialistas de empresas de segurança digital, como Camillo Di Jorge, country manager da ESET no Brasil. Em entrevista à Linux Magazine, Camillo fala sobre as tendências em ameaças digitais, o conceito de malware multiplataforma e a expansão nacional da empresa europeia, mais conhecida por seu carro chefe, o antivírus ESET NOD32.




Linux Magazine » O mercado de segurança digital tem crescido muito nos últimos anos, com novas ofertas de serviços e produtos para diferentes perfis de usuário. Como a ESET observa esse cenário?
Camillo Di Jorge » Acompanhamos atentamente o mercado e temos noção de que a tendência é cada vez mais o surgimento de novos perfis de público, devido à diversificação das plataformas. As móveis, por exemplo, têm passado por um grande “boom” nos últimos anos e os criminosos virtuais estão de olho nisso. Por isso, também estamos atentos, oferecendo soluções de segurança para essas plataformas. Investimos muito na tecnologia de nossos produtos para que sejam inovadores e que consigam ter uma interface rápida e eficiente, sempre se posicionando à frente do mercado.




LM » Desde quando a ESET está presente no Brasil e quais os planos da empresa para o país?
CJ » Está no Brasil há oito anos, através de revendedores, e com escritório local desde o ano passado. Nossos planos para 2011 incluem a expansão de nossa rede de parceiros e a aproximação com o usuário final, com relação à marca, além de tornar mais forte no Brasil a proposta educacional da empresa, com publicação de conteúdo sobre ameaças virtuais.




LM » No último ano, a ESET tem trabalhado o conceito de ameaças multiplataforma como tendência para os próximos anos. No que consiste esse cenário?
CJ » Nossas pesquisas têm detectado o aumento constante em ameaças para plataformas antes pouco visadas, como Linux, Mac e smartphones. Já há casos conhecidos de malware para plataformas móveis, e o usuário não pode correr o risco de ser infectado e ter seus dados interceptados por criminosos. Por esse motivo, a ESET acompanha o mercado desenvolvendo soluções para essa nova tendência.




LM » Pode-se dizer então que a plataforma Linux não é mais tão segurança como muitos usuários alegam?
CJ » É importante destacar que não se trata de algo referente à segurança da plataforma em si, mas sim à sua popularização. Quanto mais popular, maior o interesse de criminosos, que diversificam os modelos de ataques para atingir mais usuários. O mesmo tem acontecido com a plataforma Mac, antes tida por alguns como invulnerável, mas que passa a ter cada vez mais ameaças justamente devido à sua popularização.




LM » Quanto a dispositivos móveis, como smartphones e tablets, já podemos dizer que há o mesmo risco que existe para plataformas tradicionais como o PC? Como o usuário deve agir para evitar problemas futuros?
CJ » O simples fato de estar conectado a uma rede e não seguir os procedimentos para estar protegido o torna vulnerável a ataques. O usuário deve agir da mesma forma como utiliza o PC, com alguns preceitos básicos, como atualizar sempre o sistema, conhecer as redes a que se está conectando, não deixar sempre o Bluetooth ligado, tomar cuidado a onde se conecta e onde navega, e sempre utilizar soluções de segurança. É necessário ter atenção redobrada justamente devido à mobilidade, pois nem sempre sabemos a natureza das redes a que se está conectando.




LM » Com relação a softwares de segurança, muitos usuários hoje em dia optam por softwares gratuitos. Como esses softwares se diferenciam dos pagos e por que um usuário deve investir em uma solução paga para a segurança de seu sistema?
CJ » Existem antivírus gratuitos no mercado há bastante tempo, mas eles costumam ter menos funcionalidades e características de proteção que as soluções pagas. E mesmo esses fabricantes costumam oferecer versões pagas desses softwares, com mais funcionalidades. Essas empresas não geram receita suficiente para que haja investimento adequado em pesquisa, prejudicando a qualidade técnica do serviço que chega ao usuário. Por esse motivo, clientes corporativos, preocupados com a segurança de seus sistemas, costumam optar por soluções pagas – postura que devia ser adotada também por todos os usuários domésticos.




LM » No meio corporativo, como está a cultura atual dos CTOs brasileiros quanto aos softwares de segurança? O investimento em uma solução de antivírus e firewall, por exemplo, é priorizado tanto quanto o investimento em sistema operacional?
CJ » Infelizmente, alguns CTOs ainda tratam os softwares de segurança como “commodities” - o que não deveria acontecer. Não adianta fazer tanto investimento no sistema operacional e nos aplicativos, se a decisão por soluções de segurança não é a correta, o que acaba comprometendo todo o sistema. É algo que deve ser muito bem avaliado antes da compra.




LM » Muito se fala sobre o papel de destaque do Brasil quando o assunto é produção de ameaças digitais – algo que não é exatamente um motivo de orgulho. Considerando o histórico da indústria de segurança digital de “converter” criminosos em profissionais de laboratório, seria possível transformar o Brasil em um exportador de profissionais da área?
CJ » Talvez se houvesse um programa de formação, poderia ser uma saída, mas o grande problema é que a maioria dos ataques é feita visando benefício financeiro, o que configura um crime. Percebemos principalmente a profissionalização dos criminosos virtuais, pois é difícil efetuar sua punição. O ataque tem como objetivo o crime organizado, e nem sempre o perfil desses criminosos é o de pessoas que venham a agregar em um ambiente de trabalho e pesquisa, e eles nem sempre conhecem bem de fato a tecnologia. Muitas vezes utilizam ferramentas prontas para ataques e propagação de malware, desenvolvidas em outros países.




LM » A que você acredita que se deve essa alta colocação do Brasil no ranking mundial de malware? Fatores sociais, culturais...?
CJ » Os motivos são a falta de legislação específica, fatores sociais, impunidade e falta de informação do usuário quanto à proteção – o que acaba incentivando os criminosos por facilitar a aplicação dos golpes.




LM » Quais as tendências para 2011 que a ESET prevê para as ameaças virtuais?
CJ » Uma das principais tendências é o crescimento das botnets. Segundo os dados levantados pelo Laboratório da ESET América Latina, em novembro de 2010 foram detectadas cerca de 5.500 botnets, contra a média de quatro mil do final do ano anterior. Segundo essa tendência, estimamos que durante 2011 a maioria dos usuários infectados com qualquer tipo de código malicioso possa integrar uma botnet.




O malware multiplataforma também é algo que tem crescido muito e deve continuar assim, com a popularização de outras plataformas que já comentei anteriormente. Dessa forma, desenvolver ameaças que atinjam diferentes sistemas operacionais representa uma alternativa mais rentável para os cibercriminosos. Outra tendência é o Black Hat SEO – o uso que os cibercriminosos fazem de resultados de busca para direcionar seus ataques de malware, phishing, spam ou scam. As redes sociais são uma forma de propagação nova para esta ameaça, por estarem ganhando cada vez mais usuários.


 


Agradecimentos: Agência Ideal, assessoria de imprensa ESET


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