Entrevista


Conheça Nils Brauckmann, Presidente Mundial da SUSE

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Publicado em 23/02/2012 às 13:42

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Em uma passagem rápida pelo país no final de 2010, nos encontramos pessoalmente para uma entrevista exclusiva com Nils Brauckman, o presidente mundial da SUSE. Durante uma longa conversa, ele nos revelou o que pensa sobre a aquisição da empresa, o controverso acordo com a Microsoft e as expectativas em relação ao Brasil.


Por Kemel Zaidan e Rafael Peregrino.


Linux Magazine » Como você chegou ao seu posto na SUSE? Você já trabalhava na Novell anteriormente?


Nils Brauckmann » Eu já trabalho junto ao grupo Attachmate há mais de 15 anos e tenho um histórico de gerência nas áreas de Vendas e de Marketing, além de lidar com estratégias de negócios. Portanto, antes de entrar para a General Business Unit da SUSE Linux eu atuei como vice-presidente da Attachmate para a África, Europa e Oriente Médio, operando a partir da Holanda. Quando a fusão foi realizada e nós reorganizamos a Novell em diversas unidades dentro da Attachmate, eu recebi a oportunidade de conduzir a recém-formada unidade SUSE, como presidente e gerente-geral. Portanto, já estou com a companhia há muito tempo.


Nils Brauckmann


LM » Qual sua relação com software livre e de código aberto?


NB » Posso dizer que é boa. Fomos questionados muitas vezes pela comunidade, na da época da aquisição, sobre o conhecimento da Attachmate do que significa software livre ou de código aberto; sobre sua participação na comunidade de código aberto e principalmente se iríamos colaborar com o projeto openSUSE. Essas perguntas surgiram quando eu ainda não ocupava oficialmente o cargo, mas eu já sabia que tínhamos boas intenções com a comunidade de código aberto e que sabíamos que, para colocarmos um software de código aberto no mercado, teríamos que cultivar parcerias saudáveis e de mútuo benefício com a comunidade de código aberto em geral.


Eu não tenho um grande legado de experiência com código aberto, mas, sinceramente, parcerias todos temos e o tempo todo - nos negócios, na vida privada - e um dos fundamentos de qualquer parceria é que delas devem resultar contribuições voluntárias para todas as partes, isso só funciona se os dois estão comprometidos e prontos para entregar uma ao outro e se ajudarem, e isso não é algo exclusivo do ambiente de código aberto. Se a parceria não oferece benefícios mútuos, uma das partes vai eventualmente sair. E eu entendo isso, nós como empresa entendemos isso. Então, desde o princípio afirmamos que buscaríamos contatos e parcerias dentro da comunidade de código aberto, especialmente com o projeto openSUSE; continuaríamos a financiar seu desenvolvimento e a contribuir com conteúdo: pessoas e desenvolvimento do código. Na verdade, metade do meu pessoal na SUSE Business Unit são membros ativos da comunidade de código aberto. Eles contribuem em diferentes projetos de código aberto, alguns para o openSUSE e outros voluntariamente para outros projetos também. E nós os encorajamos a fazer isso. A mensagem que queremos passar é essa: “Sim, nós estamos comprometidos em contribuir com projetos de código aberto”.


Então penso que é uma boa relação que temos com o código aberto. Um exemplo disso foi nossa participação na openSUSE Conference, que teve um número recorde de participantes esse ano. Eu estive lá também, ainda não como o dirigente oficial da SUSE, mas participei de algumas sessões e acompanhei debates sobre o assunto da aquisição, em que passei a entender que a comunidade também está tranquila com nossa presença.


LM » Fale um pouco mais sobre a Attachmate, qual é seu histórico no mercado de TI, como é o envolvimento da empresa com seus acionistas, em especial a Microsoft.


NB » Vou contar um pouco sobre o grupo Attachmate (ou Attachmate Group). Somos uma empresa privada, composta por investidores privados, com um faturamento anual de 1,1 bilhões e 3.600 empregados em todo o mundo. Então, somos uma grande empresa. Após a fusão, organizamos nossos processos em quatro unidades de negócios independentes, cada uma gerida por um presidente e diretor-geral. Agora, cada unidade está focada no essencial de seus negócios, são autônomas e dedicam seus recursos no desenvolvimento e aprimoramento de suas principais soluções de negócios, para atender às exigências de seus clientes específicos. Estamos organizados assim para oferecer maior agilidade e melhor respondermos às mudanças do mercado. O que existe em comum é que todas as unidades desenvolvem e vendem soluções de infraestrutura de software para empresas.


Há a unidade de negócios Attachmate, que é diferente do todo que se chama Attachmate Group, que vende emulação de terminais, pós-integração, transferência gerenciada de arquivos e gerenciamento de fraude empresarial. Seu escritório está localizado em Seatle, nos Estados Unidos, e seu diretor-geral se chama Bob Flynn.


Há a unidade da NetIQ, que combina produtos da antiga Attachmate e da antiga Novell, então produtos na área de gerenciamento de sistemas, de identidade, de configuração e automação de processos de negócios e também de processos de tecnologia da informação, a beleza dessa unidade de negócios é que ela recebeu produtos de duas empresas diferentes e que se complementaram muito bem, então a unidade possui um portfólio muito completo e integrado de soluções nessa área. Essa unidade está sediada em Houston e seu diretor é Jay Gardner.


Há ainda a unidade de negócios Novell, que lida com todos os produtos legados da Novell, como o Netware, ZENworks e GroupWise… essencialmente o que não foi enviado para a unidade NetIQ, como soluções de nuvem e outras tantas coisas. A sede dessa unidade foi transferida para seu local de origem, em Provo, Utah.


Por último, mas nem por isso menos importante, a unidade SUSE que combina todas as soluções de Linux e código aberto em uma unidade de negócios, SUSE Linux Enterprise Server, SUSE Linux Enterprise Desktop, LibreOffice, e também todas as extensões que existem para a distribuição SUSE Linux Enterprise, como os componentes de alta disponibilidade, SUSE Linux para aplicativos SAP, SUSE Linux para VMware, SUSE Studio, SUSE Manager, todas as extensões e plug-ins são parte dessa unidade de negócios. Essa unidade está sediada em Nürnberg, na Alemanha, onde a distribuição nasceu na década de 90. O curioso é que o Linux celebrou em 2011 seu vigésimo aniversário, durante a metade do ano de 2012, será a distribuição SUSE que celebrará seus vinte anos de existência. Desde o princípio estivemos junto do sistema operacional Linux, melhorando-o, comercializando-o e oferecendo suporte a ele, então nossa história é quase tão longa quanto a do sistema, com uma diferença de apenas nove meses.


Nossa unidade de negócios tem um faturamento de 110 milhões de dólares anuais, explicamos mais sobre esses detalhes da empresa em um anúncio da imprensa que apresentamos globalmente. A maioria dos nossos empregados está localizada fora da Alemanha, temos equipes de desenvolvimento do SUSE na Alemanha, na América do Norte e na China. Nossa equipe de desenvolvimento na China inclusive desenvolve soluções específicas para o mercado local, a China possui uma enorme força no mercado e já somos responsáveis por 35% dele, além de crescermos 25% ao ano no país.


Essa é a maneira que investimos globalmente, não apenas com recursos para venda de produtos, mas também com recursos de engenharia e desenvolvimento, é a filosofia da nossa unidade de negócios, que termina também por beneficiar o mercado da América Latina, mais especificamente o Brasil. Queremos ser uma empresa internacional, com um processo de tomada de decisão distribuído, tanto as decisões estratégicas como as de engenharia, para que possamos estar mais próximos dos mercados e desenvolvedores locais.


Porque fez sentido para a Attachmate comprar a Novell. Escala, mais clientes e mais produtos que podemos vender para empresas, o Attachmate Group já conta com mais de 16.000 clientes empresariais em todo o mundo que usam nossas soluções, podemos alavancar mais produtos com esses clientes, tirar vantagens desse aumento de escala em nosso portfólio. Veja, a SUSE é uma empresa de 110 milhões de dólares. Não é uma empresa pequena de software, é bem grande já, mas não conseguiríamos alcançar mercados menores na área de infraestrutura como temos hoje, para isso temos como tir vantagem das possibilidades de escalonamento das nossas soluções, soluções e propostas menores para mercados menores. Todos estão fazendo isso. Então em mercados menores podemos ter pessoas, infraestrutura, recursos, centros de apoio, programas de parceria que podemos alavancar entre nossos clientes desses mercados e países menores, essa é a vantagem de ter combinado as empresas.


Quanto à Microsoft, algumas vezes surgem rumores de que a Microsoft detêm parte do Attachmate Group, isso não é verdade, as empresas são independentes e estão completamente separadas. O que existe contudo, é um relacionamento entre a unidade de negócios SUSE e a Microsoft. Agora essa parceria existe para a colaboração técnica e de negócios. Se você olhar nos data centes das empresas pela mundo, verá que elas possuem um ambiente de TI heterogêneo e “misturado”. A Microsoft amaria que todos os sistemas e servidores do mundo usassem suas soluções, mas a realidade não é essa. A realidade é que as empresas fazem escolhas, eles veem as vantagens das soluções de código aberto e do Linux em seus servidores e terminais e eles decidem instalar o Linux. A Microsoft percebeu que eles não podem impedir isso.


Contudo, por mais que eu ame o Linux, não acredito que ele seja capaz de chacoalhar a posição da Microsoft no mercado empresarial e de servidores. Para mim a realidade é que se eu conseguir algumas instalações em uma empresa, eu provavelmente terei que lidar com a Microsoft. Então a interoperabilidade e colaboração técnica são essenciais, e os clientes empresariais gostam disso. Eles reconhecem nossa realidade e a apoiam. Por essa razão é que temos o acordo com a Microsoft. Ele chega a um ponto em que a Microsoft chega a revender nossas soluções Linux. Eles compram algumas licenças de nós e as revendem, porque seus clientes querem o nosso sistema.


LM » E quanto às controvérsias de que esse acordo envolveria uma proteção de patentes que a Microsoft alega possuir contra o sistema operacional Linux? Ao assinar uma acordo assim a SUSE não estaria legitimando essa posição da empresa?


NB » A razão pela qual possuímos esse relacionamento com a Microsoft é porque os clientes empresariais, nossos clientes, querem que exista uma colaboração de negócios e tecnológica entre nossas soluções. Eles querem ter liberdade de escolha. Eles não acreditam em vinculação ao fornecedor (vendor lock-in), esse acordo serve para apoiar apenas isso. Se pensarmos na comunidade Linux, além dos usuários empresariais, acredito que seu criticismo nessa área é ainda maior do que de nossos clientes empresariais. Se recebermos código da Microsoft para resolver um de nossos problemas, a comunidade permanecerá cética. Embora existam pessoas na comunidade que hoje, após alguns anos desse acordo, acreditam que a Microsoft seja efetivamente um contribuidor para o ecossistema Linux e também reconhecem que empresas que vendem e fornecem Linux, como nós, tem que espalhar o sistema e aumentar a parcela de mercado que o Linux representa. Eu sustento que as atividades que viemos desenvolvendo, inclusive em colaboração com a Microsoft, aumenta o potencial do Linux, validam o sistema entre as empresas, tornando-o mais forte. Penso que fazemos bem para o mercado e a tecnologia Linux com esse acordo.


LM » Onde essas trocas e parcerias técnicas acontecem?


NB » Elas acontecem em diversos níveis. Somos grandes contribuidores do LibreOffice, o conjunto de aplicativos para escritório. Temos uma equipe que está focada exclusivamente na interoperabilidade entre o LibreOffice e o Microsoft Office. Existe algum grau de colaboração no nível do sistema operacional. Infelizmente não tenho conhecimento técnico o suficiente para explicar-lhe a natureza dessa colaboração. Peço desculpas por isso. Mas há também bastante trabalho sendo compartilhado entre nossa solução para o gerenciamento de servidores Linux, SuSE Manager e SuSE System Operations Manager, para garantir que o cliente use nossa solução para gerenciar suas instalações de servidores Linux e que o SCOM, System Center Operations Manager da Microsoft, possa colocar sua interface e recolher e devolver informações para nossas soluções de gerenciamento. Essas são as principais áreas de colaboração que temos com eles.


LM » Quão diferente é atualmente a distribuição openSuSE da SuSE Enterprise Linux?


NB » Não acredito que eu seja a pessoa certa para lhe responder isso, sei que colaboramos de maneira muito próxima com o projeto comunitário e que compartilhamos arquitetura entre as duas equipes de desenvolvimento. Sei que existem essas áreas, como inovação, desenvolvimento de código e certificação de qualidade, em que compartilhamos perspectivas, processos, ferramentas e também conteúdo. Contudo, numa comparação recurso-a-recurso, peço que você fale com alguém melhor preparado para respondê-lo.


LM » Você pode dizer quais são os diferenciais da plataforma SuSE hoje?


NB » Já estamos há quase 20 anos no mercado oferecendo produtos Linux. Temos muita experiência no sistema e já realizamos muitas contribuições para o sistema em todos esses anos e somos extremamente engajados na comunidade Linux, temos grandes nomes da comunidade trabalhando em nossa empresa, como Greg Koah-Hartman, que é uma pessoa reconhecida da comunidade, um membro da Linux Foundation e um empregado da SUSE.


Além disso, nos orgulhamos de termos a melhor solução em interoperabilidade e de melhor desempenho para máquinas de missão crítica. Posso até dar um exemplo para suportar essa afirmação. Se você comprar o SuSE Enterprise Linux Server, em que a interoperabilidade é importante, nossa solução pode ser igualmente executada com excelente desempenho em todas as plataformas de virtualização. Não forçamos nosso cliente a tomar decisões que possam cerceá-lo e prendê-lo a um sistema. Então Xen, KVM, Hyper-V, vSphere são todos muito bem suportados pelo nosso produto e incentivamos todos os responsáveis por essas soluções a também participar da comunidade. Por exemplo, somos membros da OVA (Open Virtualization Alliance), que incentiva o uso de KVM, possuímos relações fortes com a Citrix, Microsoft e VMware. Então a interoperabilidade é o que diferencial que nos separa de nossos competidores.


LM » Como você acredita que a fusão afetou as parcerias que vocês tinham antes, ela foi vista de maneira positiva pelos seus antigos parceiros?


NB » Certamente que sim, uma das primeiras coisas que fizemos foi contatar todos os nossos parceiros e clientes antes de tomar a decisão pela fusão, todos eles foram favoráveis à operação, pois viram que com ela estaríamos mais focados e dedicados, o que significa que ofereceríamos melhor suporte e soluções para eles. Muitas vezes eles tinham que vender e apresentar os produtos SuSE e eles pensam que nossa marca estava mais associada à Linux e código aberto, do que a Novell jamais esteve. Assim, essa reaproximação da nossa marca com esses conceitos foi bem recebida também. Esses foram os comentários que eu recebi da VMware, da Microsoft, da IBM.


Continuamos a ter uma excelente relação com a IBM também, a empresa também possui uma estratégia global para Linux, e para ser justo ela tem boas relações com todos os nossos principais competidores, mas temos todos um nível equivalente de importância da empresa. Além disso, somos o único fornecedor de um sistema operacional Linux que é endossada pela VMware, Microsoft e SAP. Ninguém mais tem isso no mercado, nada mudou quanto a isso, aliás eles querem trabalhar de forma mais próxima conosco.


Se você já ouvi alguma coisa sobre a solução HANA da SAP, sua solução para gerenciamento de memória, eles vendem juntamente com máquinas da IBM e da HP e outros fornecedores de grandes servidores. A distribuição Linux usada pela SAP para desenvolver essa solução foi o SUSE Enterprise Linux. Nosso sistema é o único que é apoiado pela SAP e é efetivamente incluído nas soluções vendidas pela empresa.


LM » Como está o mercado no Brasil agora e quais são as expectativas para ele?


NB » O mercado brasileira está bem aquecido para nós. Para começar trata-se de uma das economias que cresce mais rapidamente hoje no mundo, e também uma das maiores. Além disso há um investimento sério na área de tecnologia da informação e em resposta a isso temos aumentado nosso foco e dedicação com toda a América Latina, e dentre todos os mercados existentes nela, o mais significativo é o mercado brasileiro, devido à dinâmica local e aceitação dos negócios em engajar-se com o código aberto. Temos vários desenvolvedores do openSUSE que são brasileiros. Quando reorganizamos o Attachmate Group, demos mais visibilidade para a América Latina. Antes da fusão vimos que nossos investimentos estavam escondidos na América do Norte, assim como a SUSE estava escondida dentro da Novell. Com o foco que a nova unidade de negócio nos deu, estamos liberando todo o potencial da SUSE e buscando novos mercados. Agora temos um vice-diretor que é responsável pelos negócios na América Latina, e já temos grandes clientes que usam nossas soluções. O mercado para Linux está crescendo anualmente 20% também no Brasil, quem sabe até mais. Existem várias razões para estarmos aqui e continuarmos a investir nesse mercado.


LM » Quais são os objetivos da SUSE no Brasil?


NB » Crescer. Pode parecer simples, ou algo que todos querem, mas existe algo maior nisso, pois quero dizer que é um crescimento que esteja alinhado com o crescimento do Linux no mercado, e também, por mais que sejamos uma empresa de código aberto, também temos que obter lucro.


LM » Existe alguma estratégia mais específica? Por exemplo, a Novell possuía um enorme canal de vendas através de seus parceiros aqui no Brasil, vocês pretendem retomar isso?


NB » Agora que estamos focados, vamos trabalhar mais com a venda das nossas soluções Linux para empresas no Brasil, mas ao mesmo tempo a maioria dos nossos negócios será feita com ou através dos canais de nossos parceiros. Isso é verdade nas estratégias global e regional da SUSE que aplicaremos no mercado latino-americano. Então, sim, vendas através desses canais é uma das nossas principais prioridades. Era assim no passado e isso não deve mudar, e agora que a Novell é algo separado de nós vamos trocar ferramentas, informações e suporte para compartilhar programas de parceria.


LM » Qual era a situação financeira da Novell antes da processo de fusão?


NB » Eu não era parte da Novell, então não posso comentar sobre isso, o que sei é que a Novell possuía um grande números de clientes em todo o mundo e que empresas dependeram por anos da tecnologia das soluções Novell. Eles desenvolveram produtos muito estáveis de que os clientes puderam depender por anos em suas operações mais críticas. Esse é o grande valor que a Novell agregou para nós e é com isso que buscamos nos focar: nessa relação de confiança estabelecida e nos benefícios financeiros que advém disso.


LM » Além do SuSE Enterprise Linux, quais são os outros produtos da unidade de negócios?


NB » Temos nossa fundação que é o SuSE Linux e sobre isso desenvolvemos também algumas extensões para o sistema, que o adaptam para algum uso específico. Então existem extensões para uso em máquinas virtuais da VMware, para o uso com soluções da SAP, para usos em máquinas de alta disponibilidade, para usos em máquinas que precisam operar em tempo real, esses são alguns dos produtos para os quais existe uma grande demanda.


Além disso estamos entregando uma plataforma que pode executar um enorme volume de trabalho crítico e de altíssima demanda através de ambientes físicos, virtuais e em nuvem. Temos alguns produtos que tem seu valor nessa área, e que agregam valor aos clientes que querem mover seus data centers para a nuvem, porque essa é uma das tendências que temos observado e a SuSE oferece soluções para essa questão: o que pode ser virtualizado, o que pode ser enviado para uma nuvem privada. Temos também o SuSE Manager, nosso software para o gerenciamento de instalações Linux, não apenas as instalações SuSE, pois nosso foco nessa ferramenta é a interoperabilidade. E o SuSE Studio, que permite que um usuário crie um conjunto de aplicativos e uma instalação Linux para que seja enviado à nuvem, seja para sua nuvem pública, seja para uma nuvem privada. E essas são nossas duas ferramentas que desenvolvemos para auxiliar em espaços virtualizados e na nuvem.


No futuro, devemos ver mais soluções da SuSE na área de infraestrutura de nuvem, não a plataforma SuSE Linux, mas haverão soluções na área de armazenamento distribuído, armazenamento escalonável, nada que eu posso anunciar agora. Vamos buscar também complementar nossas soluções existentes, para ter um portfólio mais completo e fechado de infraestrutura na nuvem em código aberto.


LM » E quanto ao uso de Linux em aparelhos embarcados ou em plataformas de dispositivos móveis? A SuSE tem produtos nesses mercados?


NB » No mercado de dispositivos móveis e Linux embarcado, a SUSE pensa mais em fabricantes OEM. Nessa área temos algumas relações bem saudáveis. Por exemplo, na área de saúde, temos empresas que usam um sistema Linux, que desenvolvemos. Em dispositivos médicos, o principal fabricante desses aparelhos é a General Electric, na área de sistemas embarcados também temos um produto em sistemas de armazenamento que a Teradata vende. Então a resposta para isso é sim, temos produtos na área de Linux embarcado. Podemos e queremos fazer mais nessa área. Quanto ao setor de dispositivos móveis, não é nossa área de foco, estamos interessados em servidores, nuvens e soluções de infraestrutura.


LM » E quanto à soluções específicas para clientes, por exemplo as grandes operadoras de serviços de telecomunicação, que exigem certos requisitos de suas máquinas e sistemas, como a alta disponibilidade e a baixa latência. A SUSE está trabalhando nessas soluções também?


NB » Sim, sim, a Deutsche Telekom é uma das empresas para quem oferecemos soluções, e também trabalhamos com provedores, como a Huawei, um dos maiores provedores de serviços de telecomunicações na China - e creio que também uma das maiores do mundo - que usa o SuSE Enterprise Linux Server em seus servidores. Além disso, temos outros clientes dessa área ao redor do globo e esse é um ponto de interesse do nosso foco e investimento. Temos uma solução de alta disponibilidade, então tecnologias como failover e gerenciamento de armazenamento são parte desse produto.


LM » Outro ponto que gostaríamos de perguntar é sobre Dirk Hondel, que sempre teve uma proximidade muito grande com a Intel e a SuSE. Além disso, ele também liderou o desenvolvimento do MeeGo. A empresa tem interesse nesse ramo do MeeGo, como em IVIs e outras instalações OEM?


NB » Temos uma proximidade importante com a Intel, pois, a cada nova série de protótipos de chipsets e processadores, os desenvolvedores de sistemas operacionais devem otimizar suas soluções para o novo hardware. É por isso que temos esse relacionamento tão próximo com a Intel. Também temos uma colaboração comercial com eles, como agentes de vendas de suas soluções em servidores Intel. A Intel lucra com empresas interessadas em migrar de sistemas Unix para Linux, que é executado em hardware Intel. Fazemos isso para que possamos participar desse processo e também crescer no mercado. Quanto ao MeeGo, realmente não posso me manifestar sobre o assunto, qualquer participação da SUSE no MeeGo aconteceu antes da minha entrada na empresa.


LM » A SUSE perdeu uma série de bons desenvolvedores durante o processo de fusão, como Nat Friedman e Miguel de Icaza, como a equipe de desenvolvimento dentro da SUSE está lidando com os efeitos dessa fusão?


NB » Essa é a realidade de todas as empresas, demissões e demissões voluntárias e você deve lidar com isso. Na SUSE consideramos principalmente quem já fazia parte da comunidade de código aberto e essas foram as pessoas que preferimos manter na equipe. O caso do Miguel de Icaza foi diferente, ele abriu sua própria empresa para continuar a desenvolver e vender o Mono e continuar a servir os clientes que usam esse framework. E agora já existe uma colaboração e parceria entre a nova empresa, chamada Xamarin, e a SUSE Business Unit. Eles desenvolvem uma extensão Mono para o SUSE Enterprise Linux Server, que os clientes podem obter através dos nossos canais de marketing. Temos um acordo com a Xamarin, em que eles desenvolvem e vendem o Mono por nós, e além disso desenvolvem e vendem outros produtos relacionados à plataforma, em contrapartida, eles oferecem serviços de aprimoramento para os clientes que compraram o produtos da SUSE. O Mono já não faz parte do nosso portfólio, pois não o desenvolvemos mais, mas através da parceria que temos com a Xamarin, o Mono permanece vivo e servindo a diversos de nossos clientes, a própria comunidade de código aberto em torno do Mono cresceu significativamente com a saída de Miguel da empresa.


LM » Mas o Mono ainda é importante para a interoperabilidade entre sistemas, correto?


NB » Nós reduzimos nosso investimento no Mono, de forma significativa. As orientações que definimos é que deveríamos investir em áreas em que os clientes desejam ver investimentos, o que entendemos que também seriam as áreas em que eles gastariam seu dinheiro. Agora, por sermos uma empresa de tecnologia, sempre tentamos alguma coisa nova e interessante, que recebe validação dos clientes e da comunidade até certo ponto. Então algum tempo deve se passar para que possamos decidir se a solução permanecerá no nosso portfólio, isso é normal. Se você seguiu com o produto por um período de alguns anos, como três ou quatro anos, você precisa avaliar a demanda de mercado que existe para ele e com o Mono isso não aconteceu favoravelmente para nós, para o tipo de demanda que recebemos, para o tipo de cliente que temos, o Mono não era uma solução procurada. Então, ao discutirmos reduções no investimento, surgiu a ideia de Miguel de Icaza de começar sua própria empresa e estabelecer uma parceria conosco, era um ato que beneficiaria todas as partes. Para Miguel, que poderia continuar a trabalhar no Mono e para nós que não teríamos mais que simplesmente abandonar a tecnologia que criamos.


LM » Sabemos que a SUSE sempre teve uma posição muito favorável ao código aberto, veremos essa política de abertura de código se espalhar para as outras empresas do grupo Attachmate?


NB » Essa é uma pergunta inteligente. Infelizmente não sei responder essa questão, afinal esse é um assunto que deve ser tratado com cada diretor geral. O que existe é uma coordenação do nosso trabalho. Temos um CEO e COO que representam todo o grupo Attachmate e garantem que as empresas estejam trabalhando de maneira sincronizada e colaborativa, mas não ao ponto em que eu saiba o que de fato acontece nas outras unidades e se seus planos envolvem código aberto. Na SUSE, nosso comprometimento com o código aberto está se tornando cada vez maior, e isso ficou bem claro durante a fusão, quando olhamos para o portfólio da recém-criada SUSE e discutimos “o que precisávamos fazer a mais?”, decidimos pela área de infraestrutura de computação em nuvem, e não chegamos a esse resultado em uma reunião fechada com três ou quatro diretores, mas sim através de debates e discussões com toda a comunidade de empregados da SUSE. Buscamos agregar todo o conhecimento que possuímos sobre o mercado, sobre a comunidade Linux, e também todas as opiniões sobre o que deveríamos fazer, e depois de muito debate e avaliações que tomamos a decisão final. Sei que isso pode não estar diretamente relacionado com código aberto, mas está ligado ao trabalho de comunidade e a esse sentimento que temos na empresa de um trabalho conjunto.


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