Blog do Maddog


Reflexões de um Cachorro Louco

Ambientes de nuvem privada virtual

Publicado em 06/10/2017 às 13:23 | 5288 leituras


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SubutaiEu sempre senti que o melhor tipo de negócio é aquele que resulta em uma situação do tipo “ganha-ganha-ganha”: a comunidade de fornecedores de projetos e produtos deveria ganhar, os fornecedores de projetos e produtos deveriam ganhar e, acima de tudo, o cliente (que é o usuário final) deveria ganhar.

Muitas soluções em nuvem são de propriedade de uma grande empresa que constrói uma torre de servidores e vende serviços de hardware, software ou “plataforma” aos clientes. Às vezes, essas vendas são a dinheiro, às vezes elas são remuneradas através do uso das informações do usuário para marketing e às vezes através de uma combinação de ambos, mas é o usuário final que precisa aceitar ou abrir mão de algo para acessar os recursos computacionais de que ele necessita. Quase sempre o usuário final não tem controle sobre onde seus dados são armazenados, onde seus programas são executados ou quais programas eles estão executando. Por falta de controle, o usuário final às vezes recebe no final do mês o que podemos chamar de “cobrança surpresa”.

Sem a propriedade dos recursos, associada à falta de controle, seus dados podem cair sob a jurisdição das leis de um país diferente do seu. Embora as leis do seu país possam protegê-lo, as leis de outro país podem expor seus dados para uso indevido, sem que você tenha qualquer possibilidade de alterar essas leis.

Recentemente, aceitei a oferta para me tornar diretor executivo da OptDyn, uma empresa que oferece esse tipo de produto ganha-ganha-ganha através de uma solução de nuvem de código aberto, ponto a ponto (P2P), segura e estável chamada Subutai [2], além de outras ofertas “abertas”.

O Subutai cria ambientes de nuvem privada virtual (VPC) para usuários finais, que consomem recursos de “pares Subutai” autorizados a conceder recursos para seus aplicativos. Esses pares se autenticam mutuamente para criar uma rede privada virtual (VPN). Uma vez que a VPN está protegida, os pares contribuem com recursos como contêineres de máquinas Linux dentro da VPN usando um modelo de nuvem de contêineres como serviço (CaaS). O usuário final pode instalar qualquer tipo de serviço, aplicativo ou software de infraestrutura que desejar nas máquinas em execução nessa nuvem.

Os proprietários dessas nuvens negociam uma “cortesia” dos seus pares na nuvem para usar os recursos computacionais desses pares a uma taxa por hora. Em um futuro próximo, um registro baseado em tecnologia blockchain será usado para rastrear essa “quantidade de cortesia” e a reputação dos pares, simultaneamente ativando contratos inteligentes de modo a implementar acordos de nível de serviço (SLAs) entre os proprietários dos recursos dos pares e os proprietários das nuvens.

Fiel aos valores da comunidade, o Subutai recompensa com “cortesia” as boas ações e os hábitos que melhorarem o sistema para todos. Usuários que convidem outros, criando novos pares, mantendo alto o tempo de operação dos sistemas dos pares, emitindo relatórios de erros, ou mesmo fazendo atualizações, recebem cortesia como recompensa. É possível ganhar ainda mais cortesia doando recursos dos pares para projetos de código aberto. Esses projetos podem se beneficiar do suporte à infraestrutura e da disponibilidade dos recursos para a realização de testes. Em contrapartida, os projetos de código aberto podem fornecer “modelos” ao Subutai para que seus produtos sejam instalados e executados em sua nuvem privada simplesmente pressionando um botão. Todos ganham!

Na minha carreira, tenho visto desperdício de recursos em muitos ambientes, como hospitais com PCs ligados o tempo todo, mas ociosos em 99% do tempo (ou mais), e universidades com laboratórios repletos de PCs ligados a uma rede local, incapaz de reconfigurá-los facilmente em um cluster de alto desempenho, enquanto outras partes da organização sofrem com a falta de recursos. O Subutai foi projetado para resolver esses problemas.

O Subutai pode incorporar a Internet das coisas (IoT). Muitos dos modelos de IoT adaptam um aplicativo à nuvem e as “coisas” apenas conversam com esse aplicativo. Entretanto, muitas das “coisas” da IoT podem ser apresentadas como recurso, de modo que esses “recursos” podem ser oferecidos, trocados ou adquiridos pelas entidades que assim o desejarem. Um “laboratório virtual” poderia ser criado usando CaaS.

Eu sei que “os aplicativos são tudo”. O Subutai utiliza as APIs do Google App Engine. Todos os aplicativos que funcionam nessa plataforma são compatíveis e podem ser executados dentro do Subutai. Por outro lado, outros aplicativos que forem empacotados em contêineres e usam um modelo para configurar recursos também podem funcionar com um pouco de trabalho de desenvolvimento de aplicativos.

Os leitores que disserem: “Isso soa muita bem. Esse é o nível de integração, segurança e funcionalidade básica que eu gostaria de ter algum dia”, não precisam esperar. Subutai, um projeto originalmente financiado por uma agência governamental para ser mais eficiente no compartilhamento de recursos, foi lançado como sistema de código aberto e está agora na versão 5.x, pronto para uso.

O desenvolvimento do Subutai é liderado por Alex Karasulu, fundador e diretor de tecnologia da OptDyn. Alex fundou vários projetos na Apache Software Foundation. Ele descreve a equipe de engenharia do Subutai, acompanhado do Diretor de Marketing e Mídia, Sally Khudairi, como “realmente, insanamente bom”, e eu concordo com o Alex.

O OptDyn quer aumentar a rede Subutai, garantindo mais acesso aos recursos em todo o mundo e convidamos você a baixar o código e fazer parte da comunidade.

Ganha-ganha-ganha.

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