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Lançado o KDE 4.1: uma análise do ambiente desktop


Por Rafael Peregrino da Silva
Publicado em 29/07/2008

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A tão esperada versão 4.0 do KDE não foi poupada de críticas — apesar dos avisos de que a versão deveria ser considerada uma technology preview. Os desenvolvedores do sistema recomendaram aguardar pelo KDE 4.1 — o que, como mostraremos nesta análise, parece ter sido uma decisão acertada: a nova versão impressiona pelas melhorias na estabilidade e se mostra mais madura.



Por Kristian Kißling e Rafael Peregrino da Silva



Entretanto, nem tudo é perfeito ainda: quem estiver procurando por uma versão estável do KDE, deve continuar trabalhando com a versão 3.5. O novo KDE 4.1 nos passa a impressão de ser um bom sistema em versão preliminar: estável, mas ainda com algumas falhas de implementação.



Por outro lado, aquilo que já está funcionando, impressiona! E isso já a partir da tela de abertura, passando por programas como o Gwenview e o Dolphin, para desembocar nos Plasmoids (ver figura 4), que parecem estar funcionando muito melhor, sem nos esquecermos dos efeitos visuais integrados ao desktop. De acordo com Dirk Müller, release manager do projeto, separam as versões 4.0 e 4.1 do KDE nada menos que 20.803 modificações somente no ambiente desktop, sem contar as 15.432 alterações no repositório de traduções.



Graças aso novos ícones, ao desktop baseado em tecnologia Plasma e ao novo "menu iniciar" do sistema, o KickOff (ver figura 5), a interface gŕafica do KDE 4.1 possui uma aparência mais elegante e bem acabada que a do seu antecessor (a versão 3.5) — alguns diriam também mais "soturna". O desktop no KDE 4 é gerenciado por tecnologia Plasma, que lança mão do Webkit da Apple para funcionar. Com isso, é possível usar os Dashboards do Mac OS X no KDE 4.



Quem girasse um plasmoid na versão 4.0.0 do KDE, acabaria invariavelmente com um ambiente desktop totalmente travado nas mãos. No KDE 4.1 a grande maioria dos plasmoids padrão do sistema e o próprio desktop funcionam corretamente, de maneira estável, com bom desempenho e usando os recursos do hardware "com moderação" — justiça seja feita, graças ao uso da versão 4.4 da Qt, biblioteca da Trolltech que historicamente forma a base do KDE.



Proprietários de placas de vídeo da marca Nvidia vão precisar de uma mãozinha para colocar o KDE em operação corretamente. O KDE TechBase traz uma série de dicas para configurar placas desse fabricante. Em nosso laboratório, tanto placas de vídeo da Intel quanto da AMD/ATI funcionaram corretamente e com bom desempenho.











Figura 1: A aparência elegante da nova tela de abertura do KDE 4.1 impressiona.



Na contramão do desejo largamento disseminado entre usuários de deixar seus arquivos espalhados na área de trabalho, os desenvolvedores haviam vetado essa opção na nova versão do KDE. O novo applet de nome Folder View, através do qual uma área específica dentro da área de trabalho é criada com essa finalidade, preencheu essa lacuna. O funcionamento desse applet é ilustrado no vídeo a seguir:











Vídeo 1: Funcionamento do applet Folder View.



Além disso, o framework Plasma confere ao KDE efeitos visuais avançados, semelhantes àqueles que usuários de Linux estão acostumados a ver no Compiz, e que podem ser ativados/desativados via Administração do Sistema | Ambiente de Trabalho. Após ativá-los, basta pressionar as teclas [Alt] + [Tab] para observar as janelas que estiverem abertas desfilar em modo cover flow (no KDE, chamado de modo cover switch), conforme ilustra a figura 2.











Figura 2: O efeito cover switch em ação durante a alternação de aplicativos do KDE.



Mas não foi somente na interface com o usuário que ocorreram avanços: o novo framework multimídia do KDE, o Phonon, dispõe agora de suporte para o GStreamer, o DirectShow 9 e o QuickTime. O leitor deve estar se peguntando: "DirectShow? QuickTime? O que isso tem a ver com Linux?" Exatamente: o KDE 4.1 "roda" tanto no Windows® quanto no Mac OS X — apesar de em uma versão mais simples. Para encontrar arquivos e documentos com rapidez, o KDE 4.1 usa o aplicativo Strigi, que indexa documentos (PDFs, arquivos em geral, MP3 etc.) armazenados no disco rígido. O aplicativo Nepomuk, por sua vez, refina a busca, já que busca por conexões semânticas que tenham sido atribuídas pelos usuários aos seus arquivos. E finalmente há indícios de uso de um framework semântico: no gerenciador de arquivos Dolphin é possível por exemplo, inserir comentários em figuras e rotulá-las tematicamente, conforme ilustra a figura 3. No futuro, o Nepomuk deverá estender essa característica ao KDE 4 inteiro, transformando-o em um desktop semântico.











Figura 3: Com o gerenciador de arquivos Dolpin é possível criar vínculos semânticos para arquivos.



Finalmente os conhecidos aplicativos para gerenciamento de informações pessoais (PIM, do inglês Personal Information Management) fazem parte do KDE 4. O aplicativo Akonadi também foi incluído na nova versão: ele é o programa responsável por reunir informações (como, por exemplo, endereços) e fornecê-las como processo de fundo (i.e., em background) para os diferentes componentes dos aplicativos PIM.











Figura 4: O desktop do KDE 4.1, com plamoids e o novo menu de chamada rápida de aplicativos (o antigo "Executar Comando").



O gerenciador de arquivos Dolphin dispõe, além das abas de costume, de uma visão em árvore, e o Konqueror — sim, ele está de volta ao KDE 4 — ganhou o recurso "Copiar para" de volta ao seu menu de contexto. O reprodutor de mídia Dragon, é econômico em recursos, mas dá conta dos seus afazeres. Não espere muito dele no momento, já que ele não resiste à uma comparação com reprodutores de mídia mais maduros, como o Amarok, que caminha a passos largos na direção da sua versão 2.0. O visualizador de imagens Gwenview mereceu atenção especial dos desenvolvedores: o programa não só está com um visual renovado (e muito atraente, diga-se de passagem), como também é de fácil operação, tendo ganhado um navegador de imagens para o modo de exibição em tela cheia (ver figura 6). Além disso, o programa ainda permite desfazer modificações realizadas.











Figura 5: O "menu iniciar", do projeto KickOff, que pode ser também configurado para o modo de visão "convencional".



Quem desejar testar a nova versão do KDE, pode fazê-lo utilizando a versão em live CD criada por Stephan Binner. Basta baixar a imagem ISO, queimá-la em um CD e iniciar o sistema através dele, que nada mais é do que um live CD do Opensuse 11 com o KDE 4.1 como desktop padrão. Quem tiver interesse em instalá-lo, poderá encontrar com facilidade pacotes para a sua distribuição preferida. Os desenvolvedores já estão trabalhando na versão 4.2, que deve ser liberada para download — de acordo com o roadmap do projeto &mdash em janeiro de 2009.











Figura 6: O visualizador de imagens Gwenview é rápido, ganhou novos recursos e um visual atraente.




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