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Amazon transpõe habilidades de varejo para nuvem, lançada inicialmente em 2006, e consolida-se como líder de mercado.
Muitas start-ups usam a tecnologia em nuvem oferecida pela Amazon Web Services (AWS) para atender grandes demandas, como é o caso da Netflix, Pinterest ou OMGPOP, criadores do aplicativo Draw Something. E grandes organizações como Samsung e Unilever também. Mesmo empresas que operam em nuvens e tecnologias proprietárias também usam o serviço da AWS, como é o caso da IBM.
Sua nuvem é classificada como "infraestrutura-como-serviço" (IaaS): através dela é possível alugar armazenamento de dados, servidores virtualizados e uma série de serviços adicionais, como bases de dados e serviços de pesquisa e análise. Desde o lançamento de suas tecnologias de armazenamento EC2 e S3, em 2006, a Amazon tem adicionado mais e mais serviços para a nuvem a cada ano - cerca de 82 só em 2011 - enquanto busca constantemente reduzir seus preços.
O fato de ter sido uma das primeiras empresas a lançar componentes na nuvem parece estar rendendo bons frutos para a Amazon, que hoje possui uma fatia considerável do mercado. Os ganhos totais da empresa em "infraestrutura de sistemas" foi de 4,23 bilhões de dólares em 2011, de acordo com a Gartner.
"A Amazon basicamente inventou o negócio, não o canibalizou a partir de outros provedores de hospedagem. Eles não tem concorrência no nicho de IaaS, especialmente quando levamos em conta a escala de seus serviços", diz Carl Brooks, analista de computação em nuvem e infraestrutura da Tier 1 Research.
O que diferencia a Amazon de outras empresas de tecnologia é seu background no varejo; essa bagagem vem sendo integrada aos serviços de computação em nuvem. Estes incluem redução de preços; desenvolvimento de tecnologias apenas quando despontada demanda definitiva; identificação constante de novos potenciais consumidores de seus serviços, definindo-os com tecnologias que tornem mais fácil a transição para a nuvem (como é o caso do Virtual Private Cloud e do Amazon Storage Gateway).
E porque a Amazon criou uma constelação de serviços em sua nuvem e fomentou a criação de um ecossistema de aplicativos de terceiros habilitados através do recém-lançado AWS Marketplace, quando as empresas olham para a nuvem, existem poucas opções atualmente em pé de igualdade com a Amazon. Ao invés disso, estão confrontados com duas escolha: ir para um serviço mais barato de empresas como VPS.net ou UK2 e perder o acesso ao ecossistema de serviços adicionais da AWS, ou ir para um alto nível de plataforma-como-serviço (PaaS) oferecido pelo Google ou pela Microsoft e submeter-se a línguas prescritas e uma plataforma proprietária, com infraestrutura oculta.
"Todo mundo quer uma bala de prata para concorrer com a Amazon", afirma Steven Tuck, gerente geral da Joyent Cloud. Para muitas empresas, bater na Amazon significa ir atrás de uma parte diferente do mercado de cloud computing. Ninguém parece querer ou pensar que haja uma forma de competir com ela diretamente. Um cenário que a Oracle descreveu como sendo "um tiro no pé" em termos de preço e em vez disso optou por desenvolver uma nuvem "segura" destinada a empresas.
Enquanto isso, Google e Microsoft decidiram desenvolver suas ofertas de "plataforma-como-serviço", como é o caso do Google App Engine e do Windows Azure, respectivamente, e vê-los assumir muito mais as funções de gestão na nuvem; mas, como um conseqüência, não poderão oferecer serviços tão amplos quanto os da Amazon. A única empresa que parece estar tentando concorrência direta é a HP, com o OpenStack, mas ainda é muito cedo para dizer se representa uma séria ameaça: a tecnologia OpenStack é jovem e a nuvem só entrou em beta público em 10 de maio deste ano.
Por ser detentora de uma gigantesca nuvem, a Amazon é capaz de monitorar os tipos de trabalho que estiverem sendo executados nela enquanto lança produtos que atendam a demanda do mercado. A escalonabilidade da Amazon confere uma vantagem em pesquisa e desenvolvimento sobre seus concorrentes. "A Amazon pode olhar para o ecossistema e ver o que realmente está sendo usado por desenvolvedores de aplicativos", afirma Dave McCrory, pesquisador que cunhou o termo "data gravity" de análise de dados na nuvem.
A título de exemplo, ele cita a criação do serviço de fluxo simples de trabalho, em resposta às start-ups que desenvolvem a tecnologia para fornecê-la aos clientes da AWS. McCrory também citou o exemplo de como, anos atrás, a Amazon percebeu que o mecanismo open-source de análise de dados Hadoop estava sendo muito executado, por isso criou sua própria versão da tecnologia: Elastic MapReduce.
A criação desse ecossistema tem, portanto, dois benefícios para a Amazon. Por um lado, fornece serviços para terceiros ganharem dinheiro com a plataforma; de outro, pode vincular empresas com mais força ao seu sistema. "Eu gostaria de ver outros fornecedores de cloud, mas quando você começa com um provedor como a Amazon, é um casamento. Uma vez que tenha construído todos seus serviços em cima dela, você realmente não vai querer se separar mais tarde", elogia Asaf Yarkoni, arquiteto-chefe da CloudAlly, uma empresa que provê o back-up de arquivos do Google Apps, Salesforce e até mesmo de alguns serviços da própria AWS na nuvem de armazenamento S3.
A internet favorece a escala e a Amazon é uma das maiores nuvens do mercado. Conforme acompanhamos o Google, no que se refere à pesquisa na web, o Facebook para redes sociais ou o próprio site da Amazon para varejo online, dominar uma determinada fatia de mercado garante vantagens podem trazer dificuldades para a concorrência. Na nuvem, a escala de operação oferece ao operador uma série de benefícios - preços mais baixos para o equipamento básico, maior alcance geográfico, e uma fonte constante de pesquisa e desenvolvimento para todos os tipos de aplicativos e usuários de serviços construídos sobre ela.
Os tipos de vantagens que beneficiam a Amazon pela escalonabilidade de seus serviços são difíceis de quantificar, mas parcerias recentes, avanços tecnológicos e ofertas de empresas parceiras dão uma ideia: quando uma empresa chamada Eucalyptus procurava uma maneira de assegurar que seu software em nuvem privada poderia competir com variantes open-source como o OpenStack, acabou escolhendo a Amazon, para que seus clientes interessados em tecnologias na nuvem pudessem trabalhar localmente e tendo a certeza de que poderiam fazer a transição de seus sistemas para esse ambiente.
Da mesma forma, o tamanho da Amazon pode ajudar a atrair clientes que de outra forma ficariam receosos sobre a nuvem. Adrian Cockcroft, arquiteto da Netflix, revelou que sua companhia optou pela Amazon por imaginar que a escala não seria um problema. (Vale lembrar que, em 2011, a Netflix sozinha foi responsável por quase 30% de todo o tráfego de download da internet nos EUA.)
Além disso, como cada vez mais dados e aplicativos sobem para a AWS, torna-se interesse tanto para start-ups como para empresas já estabelecidas conectarem-se à ela: a Red Hat escolheu a infraestrutura da Amazon para construir sua plataforma-como-serviço (PaaS), enquanto o OpenStack, de código aberto, tem trabalhado duro para certificar-se de que suas APIs são compatíveis com os sistemas da AWS. Mesmo a concorrente HP implementou uma API de compatibilidade para a AWS. Além disso, os desenvolvedores ajudaram a consolidar sua posição dominante, ao programar ferramentas open-source para a execução offline no AWS e reduzir custos de conexão e banda.
Quando tomados em conjunto, a escalonabilidade da Amazon, o ecossistema das empresas, a sobreposição de um conjunto de estratégias dirigidas a todos, desde desenvolvedores solitários até as maiores empresas do mundo, parecem indicar que a Amazon seja realmente o que Cockcroft definiu como "o iPhone da nuvem" - uma enorme plataforma com posição dominante no mercado, cujos concorrentes ainda estão coçando a cabeça tentando descobrir como competir no mesmo nicho.
Fonte: ZDNet [em inglês].
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