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Essa edição aborda as tecnologias e soluções VoIP disponíveis para que você equipe sua empresa com o que há de mais moderno, eficiente e amigável, além de barato, é claro. Aprenda a instalar e configurar um servidor Asterisk com os principais recursos: Discagem Direta para Ramais – DDR –, Unidade de Resposta Automática – URA –, Distribuição Automática de Chamadas – DAC –, filas de atendimento, caixa postal de voz, planos de discagem e muito mais.
Também entrevistamos os executivos dos maiores fornecedores de equipamentos e das principais operadoras VoIP para você ficar a par de suas estratégias de mercado e descobrir qual se alinha melhor aos objetivos da sua empresa.

Seja reaproveitando hardware comodity, seja utilizando dispositivos próprios para a implementação de sistemas de terminais leves, o Linux e o Código Aberto tem tudo a ver com esse mercado. Nesta edição especial da Linux Magazine mostramos diversas soluções para a implementação de redes de terminais leves, sempre pensando em excelentes padrões de desempenho e em ótima relação custo-benefício.

LME 01 | Redes e SistemasA administração de sistemas é uma ciência ativa e multifacetada e é necessário mais do quer logs ou acompanhar os relatórios do Nagios para se considerar um iniciado nessa arte. É por isso que dedicamos ao sysadmin e a administração de sistemas nossa primeira edição da Linux Magazine Especial. Com cada uma das seções da revista iniciadas por um artigo de Augusto Campos, nosso colaborador assíduo em sua Coluna do Augusto, pretendemos abordar cada uma das facetas da administração de sistemas.

Blog do maddog: Três em um
Por Jon ‘maddog’ Hall
Acabei de voltar de uma viagem para três conferências, a Futurecom em São Paulo, o “I FÓRUM DE SOFTWARE LIVRE DE DUQUE DE CAXIAS” na cidade de Duque de Caxias, RJ, e o Latinoware em Foz do Iguaçu, Brasil. Cada conferência foi interessante à sua própria maneira.
A Futurecom é o maior evento de telecomunicações do Brasil. Realizada há vários anos em Florianópolis, este foi o segundo ano em São Paulo.
Um grande pavilhão de exposições, com grandes estandes, muitos dos quais com bares de vários tamanhos e oferta de comida para os participantes. Fazia muito tempo que eu não ia a um evento desse tipo e tamanho. A Red Hat Software montou pela primeira vez um estande lá.
A equipe da Futurecom foi muito legal comigo. Eu os havia encontrado um mês antes em seus escritórios em Curitiba, onde me levaram para almoçar num clube para conversar sobre Software Livre e suas implicações. Eles também coordenaram as passagens para as três conferências, então não tive que viajar de volta para Boston ao final de cada uma, o que (espero) barateou o custo das passagens.
Dei uma palestra sobre “Telefonia aberta” e por que ela é importante para a indústria de telefonia. Foi interessante para mim pois, embora as pessoas presentes já tivessem ouvido falar de Linux, Android e Asterisk, elas se aproximaram depois e me disseram que eu havia esclarecido melhor o que o Software Livre realmente significava para suas empresas.
Outro ponto alto da viagem foi a chance de conversar com vários fornecedores sobre diversos projetos nos quais estou trabalhando e receber seu compromisso de ajudar a suportar esses projetos. Vou escrever mais sobre estes na semana que vem.
Na Futurecom, tive a chance de aparecer num programa de TV chamado Roda Viva, no qual quatro jornalistas me fizeram perguntas sobre Software Livre e eu as respondi. Foi um pouco semelhante a estar numa cadeira elétrica esperando a execução, olhando para os quatro jornalistas e recebendo perguntas deles e do público ao vivo, já que o programa foi transmitido ao vivo via Internet. Também havia pessoas atrás de mim, e conversei com algumas delas durante os intervalos. Em um dos intervalos, perguntei ao público: “quem NÃO usa Software Livre”, e a maioria das pessoas não levantou a mão. Um bravo levantou, e perguntei a ele: “você mora na lua?”, o que arrancou bons risos da plateia. O público sabia que é quase impossível usar a Internet, dispositivos embarcados, servidores de qualquer espécie sem usar algum tipo de Software Livre. A pergunta era capciosa, e a maior parte do público sabia.
Outra questão que gerou certa reação da plateia foi quando eu falei sobre o dinheiro que saía do Brasil devido a licenças pagas a empresas de fora do país. Um dos entrevistadores me interrompeu e disse que um estudo mostrou que, para cada dólar que saía do Brasil, doze eram gerados dentro do país. Eu respondi que na maior parte, esses doze dólares também podiam ser gerados por serviços em Software Livre da mesma forma, e o décimo terceiro dólar também ficaria no Brasil para gerar ainda mais empregos. Como um bilhão de “treze dólares” saem do Brasil a cada ano por causa de softwares proprietários, existem vários empregos que poderiam ser gerados dentro do Brasil com esse “décimo terceiro dólar”.
Apesar de depois eu ter sido informado de que minhas respostas foram muito boas e que representara o Software Livre muito bem, algumas perguntas foram endereçadas ao meu posicionamento político e se eu era republicano ou democrata.
Pessoalmente, acho que o movimento do Software Livre não tem base política, mas econômica. Acredito que o Software Livre é bom para a economia e que qualquer partido político deveria ficar feliz em apoiá-lo. Portanto, não é uma questão da “esquerda” ou da “direita”. Infelizmente, creio que alguns entrevistadores viram uma oportunidade de criar controvérsia, e o questionamento perdeu o rumo.
Se você quiser ver uma parte desse programa, ele está na Internet em vários formatos. Deve ser fácil encontrá-lo no Google procurando por “Roda viva” e “maddog”.
Depois disso, fui para Duque de Caxias. O evento foi organizado por uma agência do governo que estava tentando criar empregos para as pessoas e abraçara o Software Livre como forma de alcançar isso. Claro que isso é altamente interessante para mim, e me lembro de pensar que eles deviam estar no programa da TV para dizer aos jornalistas de que se trata realmente o Software Livre.
Duque de Caxias não é uma parte rica do Rio de Janeiro. Também não são favelas, nem sofrem com a guerra de facções criminosas que ocorrem em algumas partes do Rio de Janeiro (vi um vídeo de um helicóptero da polícia caindo do céu, em chamas). Mas o prefeito e os pais da cidade estão buscando com afinco educar e dar trabalho a seus cidadãos, e preciso parabenizá-los por esse esforço.
Alessandro Silva, um velho amigo, foi meu anfitrião em Duque de Caxias, e me tratou muito bem.
Também gostei de visitar a feira gigantesca que começava perto do meu hotel. Comprei uma dúzia de bananas por meio dólar e uma dúzia de cenouras por aproximadamente o mesmo preço. Comi-as como lanche ao longo dos dois dias seguintes, mas precisei deixar metade das bananas no quarto do hotel quando saí. Espero que a arrumadeira tenha gostado delas...
A conferência aconteceu numa única sessão num auditório, mas havia muitas pessoas brasileiras do Software Livre. Um palestrante que me impressionou em particular trouxera um jovem que começou como voluntário em seu programa, aprendeu Software Livre sozinho, começou a ensinar Software Livre no programa e agora estava na universidade estudando Ciência da Computação. Esse jovem tinha muito orgulho, e quando me contou sua história, vi nele o mesmo orgulho das pessoas que se levantam do nada para criar uma carreira para si mesmas.
Além disso, houve uma boa apresentação de João Fernando Costa Júnior, responsável pela publicação Espírito Livre. Trata-se de uma revista online produzida completamente e de forma muito profissional com Software Livre e artigos de colaboradores. Inclusive, eles estão planejando uma edição sobre “Software Livre” para 8 de novembro de 2009. O site é http://revista.espiritolivre.org.
Após o fim do encontro, alguns de nós fomos tomar cerveja num bar universitário local perto do hotel. O que eu pretendia que fosse simplesmente uma cerveja e um adormecer cedo tornou-se algumas cervejas, um pouco de uísque (uísque demais) e um presente do dono do bar: um cooler de garrafa da cerveja Antarctica com dois pinguins. Disseram-me que a gíria para esse dispositivo é “camisinha de garrafa”, mas não vamos discutir isso aqui, pois trata-se de um blog de família.
No dia seguinte, fui para o Latinoware, levando o resto do uísque (uísque demais) comigo.
O Latinoware foi melhor do que nunca, com o local recebendo melhorias por parte da organização (PTI) que atua como sua principal patrocinadora. A maioria das pessoas fez o tour tradicional da usina hidrelétrica (realmente fascinante) ou das cataratas (uma vista natural que também é realmente fascinante), mas eu me concentrei em trabalhar um pouco e receber algumas reverências por causa do agora infame programa de TV que já havia sido transmitido nacionalmente na noite anterior.
Agora também vou agradecer a todos os meus “seguidores do tweeter” por “retuitar” sobre o programa para que várias pessoas do Latinoware soubessem, incluindo o governador do estado, que deu uma palestra na abertura do Latinoware e disse que todos “deveriam ser um maddog pelo Software Livre”.
Um presente especial este ano foi a presença de Fred Brooks, cujo livro “The Mythical Man Month” eu li quando foi lançado em 1975.
Fred também foi o gerente na criação do OS/360 e as lições que ele aprendeu nesse projeto foram incorporadas a esse trabalho. Além disso, ele teve formação como matemático e físico, que, como vários de nós naquela época, foi “sugado para” o campo mágico da “computação” antes de saber realmente do que se tratava.
Durante o planejamento do Latinoware, fui recrutado para ajudar Fred a encontrar a melhor forma para que ele obtesse seu visto para visitar o Brasil. Como Cesar Brod, um dos planejadores, sabia que eu visito o Brasil com tanta frequência que a imigração já tem uma porta giratória para mim, Cesar me encaminhou as perguntas de Fred e eu ofereci conselhos especialistas.
Por causa disso, tive a sorte de ser procurado por Fred durante o café da manhã do primeiro dia de Latinoware. Ele queria se certificar de que Linus ainda estava ativo como arquiteto do kernel Linux. Eu garanti a ele que Linus ainda tinha esse papel, mas que havia muitas pessoas em quem ele confiava e que faziam um monte de trabalho junto a ele. Fred entendeu, mas queria garantir que não diria nada de errado em suas palestras.
Acontece que Fred ainda está ativo na pesquisa e também leciona na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, EUA.
Eu perdi minha edição de capa dura de seu livro (ou ela foi “emprestada” para alguém e jamais devolvida), então comprei duas cópias de seu livro antes de sair de casa (reimpressos numa edição de aniversário, mas sem a capa dura) para pegar autógrafos dele.
Quando mencionei isso ao Cesar Brod, ele me disse que não tinha trazido uma versão do livro em inglês, mas que possuía uma em português, então troquei com ele uma das minhas versões em inglês pela em português. Depois, descobri que foi Cesar a pessoa que traduziu o livro para português, então peguei o autógrafo dele também. Agora tenho uma boa forma de aprender português... reler o clássico de Fred Brooks em português.
Por falar em livros, participei de um lançamento de livro no Latinoware. Há quase um ano, algumas pessoas do Software Livre brasileiro queriam escrever um livro sobre Software Livre e me pediram para escrever o prefácio. O livro foi terminado a tempo para o Latinoware e tivemos uma festa de assinatura de livros. O mais impressionante foi que os autores e organizações patrocinadoras do livro, “Comunidade SOL Software Livre” e Fapeam, estavam distribuindo cópias do livro gratuitamente para que todos aprendessem o que é o Software Livre.
O título do livro é “A Revolução do Software Livre”, e os autores são:
e, é claro, seu interlocutor.
Finalmente, no último dia de Latinoware, um jovem amigo meu, Eduardo Bergmann, me disse que havia tentado falar com o Dr. Brooks, mas não conseguira encontrá-lo.
Convidei Eduardo e outro amigo meu, Felipe Augusto van de Wiel, para tomar café da manhã no dia seguinte, e sentamo-nos com o Dr. Brooks enquanto Eduardo fazia perguntas a ele e todos escutávamos. Acho que tanto Eduardo quanto Felipe estavam um pouco fascinados conforme o Dr. Brooks e eu contávamos as histórias de pessoas como Maurice Wilks, Grace Hopper e outros pioneiros da computação que havíamos conhecido pessoalmente.
Depois, nesse mesmo dia, tive uma viagem tranquila de volta para New Hampshire, carregado de livros da festa de assinaturas e duas cópias especiais de “The Mythical Man-Month”, além de várias lembranças.
Carpe Diem!
Política parece ter significados diferentes...
Prezado Mr. John Hall, Eu assisti ao debate da TV on line e percebi que a concepção de política para o senhor foi diferente da concepção que algumas pessoas, entre elas alguns entrevistadores têm. Não se trata de política de partidos. Trata-se de política no seu sentido mais amplo, ou seja, “a coisa pública”. E, nesse aspecto, o software livre é, sim, um movimento político, pois trata daquilo que deveria ser público e foi privatizado. O aspecto econômico é apenas um lado do aspecto maior, político. Abraço.