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Reconhecimento do pinguim
Por Jon “maddog” Hall
No começo do mês, um brasileiro amigo meu, Cesar Brod, mandou-me umas fotos dos fogos de artifício da passagem de ano com imagens do nosso pinguim favorito. Elas vieram bem a calhar, pois, há exatamente um ano, escrevi um post sobre o Tux e o “Dia do reconhecimento do pinguim”, Penguin awareness day (20 de janeiro) e sobre o “Dia mundial do pinguim” (25 de abril). Então, hoje, lembrarei a todos destas duas magníficas oportunidades de ajudar na comemoração de existência do Linux, publicando esta foto do Cesar.
Aparentemente, artistas gráficos em todo o mundo procuram imagens de pinguins na internet quando seus clientes as solicitam. E, naturalmente, o fofo Tux aparece, na maior parte das vezes, como resultado das buscas.
Outro fato importante para os artistas gráficos é que os direitos de uso da imagem original do Tux são bem flexíveis, pois Larry Ewing, o detentor dos direitos, liberou o uso da imagem com a condição de que seu nome seja divulgado, assim como o GIMP, no caso de “alguém perguntar”. Esta última frase aterroriza qualquer advogado, mas expõe o Tux na forma original em locais tão diversos quanto caminhões que transportam encanamentos, assistência técnica de ar-condicionado, cartões de loteria e fogos de artifício.
Logicamente, a Wikipedia tem tudo sobre o Tux, portanto, não irei contar toda sua história, mas quero mencionar um fato: quando o Tux apareceu pela primeira vez em 1996, eu estava em um evento, e um amigo meu que tinha uma empresa que vendia distribuições, camisetas e outros materiais do Linux veio me informar que havia detestado a escolha. Perguntei por que, e ele respondeu que o Tux era “gordo e tinha cara de bobo”, que o mascote deveria ser um tigre ou um tubarão, algo com dentes e garras para dilacerar a Microsoft.
Pensei sobre isso por alguns instantes e respondi que havia trabalhado para uma empresa por dezesseis anos e lá aprendi que, se o arquiteto do software gosta de alguma coisa e se o consumidor gosta de alguma coisa, o que você gosta não faz diferença. Ele me encarou de modo estranho e saiu.
Três meses depois, em outro evento, ele me aparece com diversos pinguins de brinquedo, alguns parecidos com o desenhado por Larry Ewing. “Os adesivos do Tux e as camisetas do Tux estão vendendo uma barbaridade. Então pedi para essa fábrica de brinquedos chinesa uma produção do Tux de pelúcia”, disse ele. Não quis lembrá-lo que, há apenas três meses, ele havia odiado o pinguim e queria um tubarão.
Depois disso, os Tux de pelúcia estavam por toda a parte. Eu estava na CeBIT, em Hanover, na Alemanha, em 1998, havia um Volkswagen “New Beetle” no estande da SAP, com três pinguins no banco da frente. Um pinguim grandão estava “dirigindo” e os dois pequenos no banco de passageiros. Um famoso político alemão apareceu por lá para auxiliar na abertura da feira e, quando começou a ser filmado, disse “Por que estes pinguins estão no carro?”. Então, enquanto os câmeras filmavam o material do jornal da noite, o pessoal da SAP tentava explicar sobre o Linux e o Software Livre e o político (não me lembro bem se era o Chanceler) ficava repetindo “Sim, eu conheço o Software Livre, mas por que os pinguins?”.
Isso me fez rir bastante.
No fim, várias mulheres bonitas vieram correndo ao meu estande dizendo “Por favor, dá para arranjar uns pinguins fofos destes para a gente?”. Infelizmente, naquela altura, já não tínhamos mais pinguins disponíveis, mas, duvido que isso aconteceria caso a comunidade tivesse escolhido um tubarão como mascote.
Portanto, por favor, lembrem-se de celebrar os pinguins no dia 20 de janeiro, no dia 25 de abril e em todos os outros dias do ano.
Carpe Pinguim!
Existe o velho ditado que diz que "o cliente tem sempre razão", e enquanto isso é verdade em 99,9% dos casos, eu passei por pelo menos uma situação em que o cliente estava errado...
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