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Certificação LPI-1 3ª Edição
Infraestrutura de Redes
Samba: Windows e Linux em rede
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Todo artigo tem como objetivo ser um bom artigo, porque sua razão de existir é ser lido, seja num jornal impresso, numa revista online ou em seu blog particular. Em meu trabalho diário como editor da Linux Magazine, lido com artigos de todas as qualidades, e pretendo explicar aqui algumas das técnicas que qualquer autor pode aplicar para tornar a leitura mais agradável para seus leitores.
O primeiro aspecto de um artigo raramente é percebido: trata-se de uma competição pelo leitor. Várias coisas disputam com seu artigo a atenção do leitor, como a TV, o barulho dos vizinhos, um livro ou até mesmo outros artigos no mesmo blog, revista ou jornal. Então, sua primeira preocupação deve ser vencer essa competição, e para isso é preciso chamar a atenção do leitor.
Para chamar a atenção do leitor, eis os principais aspectos:
Leitores de assuntos específicos costumam freqüentar poucas fontes de informação sobre esses assuntos. Se você escreveu um artigo sobre o tema, provavelmente já sabe onde divulgá-lo. Como eu disse acima, é muito improvável que as pessoas simplesmente adivinhem que você escreveu o artigo, ou que venham a conhecê-lo por indicação de outras.
Sistemas de bookmarks sociais, como Digg, del.icio.us, Reddit (aqui está uma lista mais completa) ajudam muito na divulgação, e dá muito prazer ver seu artigo na lista dos mais recomendados.
Mesmo que você tenha certeza de que já conhece os sites onde mais vale a pena divulgar ou publicar seu artigo, confira esse tema nos bookmarks sociais. Você pode descobrir sites muito recomendados de que não desconfiava.
Os mecanismos de busca, como Google e Yahoo, por exemplo, também são importantes fontes de leitores. Certifique-se de que o site onde o artigo será publicado seja facilmente indexável pelos robôs de busca.
Divulgar seu artigo em todos os sites do planeta jamais surtirá um efeito positivo se seu título não for bom. Exemplos de títulos ruins, e sugestões para melhorá-los:
Bons títulos transmitem o máximo de informações relevantes de forma clara, e com o mínimo de palavras. Nesse ponto, é importante pensar em como você divulgará seu artigo, pois títulos muito específicos podem não chamar a devida atenção do público alvo. Por exemplo, num caderno de informática de um jornal, talvez “Linux tem novo programador-chefe” se saia melhor do que “Substituição no kernel: sai Torvalds, entra Morton//, ao contrário do que aconteceria, por exemplo, num site mais direcionado, como o BR-Linux.
Os exemplos de maus títulos acima têm em comum serem mais longos do que o necessário, e não darem a devida ênfase aos pontos-chave do que se quer comunicar. Aliás, esse ponto-chave depende sempre do público que se deseja atingir. Tente sempre incluir as palavras-chave no título do artigo, ou pelo menos no título da notícia de divulgação do artigo.
No caso do primeiro artigo, o mais importante pode ser o servidor Samba, ou então a autenticação por LDAP, ou ainda a distribuição usada. No segundo, os pontos podem ser o motivo da saída de Torvalds, quem entrou em seu lugar, ou o simples fato de Torvalds ter saído.
Note também as abreviações dos nomes: para quem conhece, “Torvalds” é suficiente para identificar o autor do Linux, enquanto quem não conhece não vai sentir falta do prenome do finlandês.
Mas atenção: evite exageros. “Samba e LDAP” provavelmente é curto demais, assim como “Linus desiste”.
Uma última ressalva: não prometa algo que seu artigo não cumpre. Se o título diz ”Servidor Samba/LDAP no Gentoo”, não vá deixar de lado a configuração do Samba e focar-se apenas no LDAP. Senão, um título mais apropriado seria ”Autenticação por LDAP no Samba”.
Depois que seu leitor vê o anúncio de seu artigo, se interessa pelo título e clica no link, é hora de pensar em como mantê-lo interessado.
Para convencer seu leitor a ir além do título, ofereça-lhe uma prévia do conteúdo. Às vezes um sumário (com links, de preferência) já basta. Outras vezes, um curto texto de até três frases (novamente, minimalismo é bom) serve.
No caso de optar pelo texto curto, a melhor fórmula é: uma frase para a introdução, uma para o grosso do conteúdo do artigo e uma última com a conclusão. Incluir ou não a conclusão do artigo no texto de resumo fica a cargo do autor, mas pode ser interessante para levantar a curiosidade do leitor em relação à forma como o autor chegou a essa conclusão.
Em geral, é interessante começar o artigo expondo sua motivação para escrevê-lo. É lógico que, nesse caso, a motivação precisa ser interessante, para que o leitor não desista nesse ponto.
Outros conteúdos interessantes para os parágrafos introdutórios são um histórico do que se está avaliando. No artigo sobre Samba e LDAP, por exemplo, a introdução poderia discorrer sobre as questões envolvidas na administração de redes, em especial na autenticação de usuários. No exemplo de artigo hipotético sobre a saída de Linus Torvalds, a introdução poderia dar um histórico do Linux, lembrando como ele começou, por que Linus o desenvolveu e quantas pessoas usam o kernel Linux, por exemplo.
Se o leitor chegou até aqui, é porque tem interesse de verdade no assunto do artigo. Agora é só uma questão de expor o conteúdo de uma forma que lhe agrade.
Lembre-se que o leitor não está dentro da sua cabeça. Então, cada novo termo introduzido no artigo deve acompanhar uma explicação ou um link no qual o leitor possa clicar para se familiarizar com o termo, seja ele um conceito, uma tecnologia, uma pessoa ou um software. Dificilmente links são um exagero. São a forma mais limpa que conheço para fornecer aos não-familiarizados as informações de que precisam, sem no entanto repetir informações que os mais experientes já sabem.
Fazer referência a termos obscuros pode deixar o leitor com a impressão de que o autor é um erudito, sem dúvida. Se o autor fornecer os links, continuará igualmente erudito, mas o leitor terá um motivo a mais para voltar ao artigo no futuro, caso se esqueça da palavra ou de seu significado.
Ao longo de todo o artigo, é muito importante utilizar linguagem clara, correta e concisa. Regras ortográficas e gramaticais existem em todas as línguas para facilitar a leitura e a compreensão dos textos.
Se você escrever em português errado, é possível que outros brasileiros entendam o conteúdo, mas a situação pode acabar ficando ruim demais para habitantes de Portugal, Angola, Moçambique…
Além disso, do ponto de vista do tamanho do público, imagine assim: escrever em português correto não faz você perder leitores, porque tanto os fundamentalistas da língua quanto os desleixados conseguirão lê-lo. Já se você cometer muitos erros, eu pessoalmente conheço várias pessoas que simplesmente vão desistir do texto depois de poucas frases, exatamente porque erros adicionam trabalho à leitura, e ninguém quer ter trabalho.
Escrever de forma fluida também é importante. Isso significa evitar quebrar o sentido do texto, principalmente numa mesma frase. Mais uma vez, a quebra do ritmo da leitura também exige mais trabalho do leitor e, como eu disse, ninguém quer ter trabalho.
Se for necessário dar informações que não se encaixem em nenhum ponto do artigo, considere a possibilidade de incluir um quadro de texto desconectado do restante do artigo. Assim, o leitor pode ler o quadro se e quando tiver interesse, o que evita quebras na fluidez do artigo e a conseqüente insatisfação dos leitores.
Subtítulos também são imprescindíveis em artigos longos. Eles permitem a identificação dos segmentos interessantes para o leitor e ajudam a tornar o texto menos monótono. Use-os sempre, a cada poucos parágrafos.
Frases simples são melhores que as longas. Repetir termos pode ser útil. Repetir termos pode servir para deixar clara uma afirmação. Mas repetir termos, às vezes, pode ser ruim para a fluidez do texto. ;) Use repetições com moderação.
Um texto longo pode ser bom, mas se for intercalado com imagens, certamente vai atrair ainda mais leitores. Sempre que possível, insira imagens em seus artigos. Se você cita alguém, inclua uma foto da pessoa citada; se fala de algum software, coloque uma foto de seu autor ou uma figura com o logo do programa; se for uma entrevista, a foto do entrevistado é fundamental. Diagramas esquemáticos, gráficos, fluxogramas… A única imagem prejudicial para um artigo é aquela que não tem qualquer relação com o assunto abordado.
Mais uma vez, lembre-se sempre de quem é seu público leitor. A linguagem sempre deve ser adequada à maioria de seus leitores. Num artigo para o público em geral, falar de um subsistema do kernel pode ser tão ilustrativo quanto explicar a um programador as diferenças entre bactérias gram-negativas e gram-positivas.
Nem todo artigo precisa de uma conclusão. Se você estiver avaliando um novo programa ou um sistema operacional, ou ainda se estiver simplesmente apresentando uma nova forma de realizar uma tarefa já antiga, talvez seja interessante ter uma conclusão.
Havendo um ou mais parágrafos de conclusão, talvez muitos leitores pulem direto para ela, e isso pode não ser ruim. Se mais gente ler seu artigo rápido, talvez mais gente fique satisfeita, e mais gente o cite, e mais gente o leia. Nesse caso, é bom repetir na conclusão os principais pontos do artigo, para o leitor apressado entender seu ponto de vista e também sua conclusão em si.
Pense nesses aspectos na hora de escrever—ou não—uma conclusão para seu artigo.
Escrever artigos é fácil: basta escrevê-los e publicá-los em algum lugar. Mas seja num blog, uma revista de informática ou um jornal de grande circulação entre não especialistas, existem alguns fatores que podem ajudar seus artigos a atrair os leitores certos, comunicar-lhes o que eles desejam e deixá-los satisfeitos.
Se você simplesmente deseja mais leitores para seus artigos, é importante saber atraí-los e satisfazê-los. Espero sinceramente que as orientações contidas neste artigo sejam úteis para todos que gostam de escrever artigos.
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