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A Linux Magazine conversou com Sulamita Garcia, gerente de estratégia Linux para a América Latina da Intel, a respeito da plataforma Moblin. Confira a entrevista na íntegra.
Linux Magazine» O que é o Moblin?
Sulamita Garcia» A maneira mais simples de apresentarmos o Moblin é como uma distribuição Linux da Intel, bastante simplificada, destinada à nova geração de dispositivos para Internet (MIDs --- Mobile Internet Devices). Ele é uma plataforma aberta e engloba vários outros projetos, e é todo de código aberto.
Por exemplo, existe um projeto para adaptar o navegador Firefox a esses dispositivos, outro para adaptar um reprodutor multimídia etc. Os desafios, nesses casos, são o melhor aproveitamento da tela, o consumo reduzido de recursos e energia e o uso dos novos processadores Atom, apenas para citar os mais relevantes.
Mas também há uma interface muito simples --- um emulador --- para geração de uma imagem do sistema embarcado, facilitando a criação de aplicativos com todo um ambiente já pronto.
LM» Se o Moblin é uma distribuição, como é a interação com outros fornecedores Linux?
SG» Ele não é uma distribuição propriamente dita, mas uma ferramenta de desenvolvimento. Quanto aos fornecedores, temos acordos com empresas como Canonical, Turbolinux e Red Flag, que criam suas distribuições para esses dispositivos, voltadas a seus públicos específicos e com acordos OEM com diversos fabricantes de dispositivos. O mais interessante é que o Moblin é todo de código aberto.
LM» O que exatamente é o concurso para desenvolvimento no Moblin?
SG» O concurso é chamado de Your Move, levando à pergunta: "qual seria o seu próximo movimento?". Ele tem como público-alvo os desenvolvedores de software, para darem idéias sobre o que gostariam de ver no Moblin, o que está faltando ou quais recursos ou aplicativos seriam muito interessantes de ter no aparelho. As idéias podem ser enviadas a partir de 12 de junho até 13 de julho, e devem incluir, inicialmente, um rascunho da interface e das funcionalidades dos aplicativos. No dia 17 de julho, as idéias mais interessantes serão escolhidas pelo público por meio de uma votação. As idéias mais votadas ganharão um MID com processador Atom e um prêmio equivalente a mil dólares.
Depois dessa etapa, os vencedores terão três meses para realmente desenvolverem e implementarem essas idéias. Ao final desse período, as idéias serão julgadas por uma equipe de especialistas. A melhor idéia ganhará uma passagem com acompanhante e estadia de uma semana para qualquer conferência Open Source no mundo, à escolha do ganhador.
O mais interessante é o fato de o Brasil estar no mapa de um concurso como esse, acompanhado apenas de China, Índia e EUA. Isso é um reconhecimento para a comunidade brasileira de desenvolvedores.
LM» Apesar disso, a Intel não tem desenvolvedores no Brasil. Isso não é contraditório?
SG» Isso sempre depende do mercado local. A China, com mais de um bilhão de habitantes, gera negócios de bilhões de dólares. O Brasil está caminhando para se tornar o terceiro maior mercado mundial de computadores. No entanto, ainda não surgiu a necessidade de termos um grupo de engenheiros aqui.
Por exemplo, a equipe da Intel que trabalha no kernel é de 300 pessoas. Porém, quantos profissionais trabalham profissionalmente no kernel no Brasil? Aqui, temos uma comunidade de usuários muito grande, mas faltam desenvolvedores. Os eventos deveriam ter uma preocupação maior em formar mais profissionais para termos quem contratar.
LM» E a Intel tem iniciativas nesse sentido?
SG» Sim. Na Argentina, por exemplo, uma equipe da Intel ofereceu um curso de reciclagem para professores universitários da área de computação, com o objetivo de atualizá-los na programação multi-core. No Brasil também há programas específicos para capacitar professores de computação a ensinar a seus alunos programação paralela para processadores de múltiplos núcleos.
LM» Como você avalia a relação da Intel com a comunidade brasileira de usuários Linux?
SG» Acho interessante a Intel trazer para a comunidade o pensamento de que o objetivo, ao participar de um evento como o FISL, não é apenas participar, mas agregar valor. Ou seja, a empresa não comparece simplesmente com patrocínio, mas também com código, documentação e treinamento. Acho que é uma relação que beneficia ambos os lados.
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